Há vozes que reconhecemos antes mesmo de entender a letra. Basta uma nota, uma respiração, uma palavra, e alguma coisa dentro da gente responde. A voz do Eddie Vedder é assim…  

Ela pode carregar a força de um grito ou a delicadeza de uma conversa ao pé do ouvido. Pode acompanhar uma estrada, um amor, uma despedida ou um momento em que precisamos encontrar coragem. Para quem cresceu ouvindo Pearl Jam ou descobriu seus discos solo em uma fase importante da vida, essa voz acaba fazendo parte da própria história.

Conhecer Eddie é percorrer uma trajetória em que música, inquietação e compromisso social se encontram. É também entender por que, depois de tantas décadas, suas canções continuam tão próximas de quem as escuta. Sem contar sua presença de palco que é demais!!!

 

Antes dos grandes palcos

Eddie Vedder nasceu em 23 de dezembro de 1964, em Evanston, Illinois, nos Estados Unidos. Antes de se tornar uma das figuras mais reconhecidas do rock, viveu em San Diego e cantou na banda Bad Radio. 

A virada aconteceu em 1990, por intermédio do músico Jack Irons, que viria futuramente a fazer parte do Pearl Jam gravando os álbuns” No Code e Yield”, chegou até ele uma fita com instrumentais de músicos de Seattle que procuravam um vocalista. Eddie gravou sua voz sobre aquelas músicas e devolveu a demo. A conexão abriu o caminho para sua entrada no grupo que se tornaria o Pearl Jam.

Hoje, esse episódio parece o início inevitável de uma história conhecida. Naquele momento, porém, era um encontro entre pessoas tentando descobrir o que poderiam criar juntas. 

Desse encontro surgiria uma música capaz de alcançar milhões de ouvintes sem perder a sensação de falar diretamente com cada um.

 

Pearl Jam: uma geração encontrou sua voz

Lançado em 1991, Ten colocou o Pearl Jam no centro da transformação que o rock vivia no início dos anos 1990. A banda ajudou a levar a cena de Seattle a um público mundial. 

A interpretação de Eddie era decisiva nessa identidade. Sua voz tinha peso, mas também deixava espaço para fragilidade, dúvida e afeto. Ouvir aquelas músicas podia ser uma experiência física: a tensão da guitarra, o movimento da bateria, a voz crescendo até parecer maior do que a gravação.

Ao longo da carreira, o Pearl Jam ampliou sua linguagem e construiu uma relação duradoura com o público. Em 2017, entrou para o Rock & Roll Hall of Fame, que destaca tanto sua integridade artística quanto sua consciência social. O reconhecimento ajuda a dimensionar a importância da banda. A permanência na vida dos fãs, porém, aparece em coisas mais difíceis de medir: um disco guardado por anos, uma viagem para assistir a um show, uma música que volta quando mais precisamos dela. 

 

A carreira solo: outra maneira de chegar perto

A carreira solo revelou novos espaços para sua voz. Com arranjos mais contidos, Eddie permitiu que o silêncio e a respiração também participassem das canções.

Em 2007, lançou a trilha de Into the Wild, conhecido no Brasil como Na Natureza Selvagem. O trabalho marcou sua estreia solo e rendeu um Globo de Ouro à música “Guaranteed”.

É um disco que pode ser ouvido como companhia para perguntas sobre liberdade, pertencimento e os caminhos que escolhemos. Esta é uma leitura afetiva do álbum: a impressão de uma paisagem aberta, em que a beleza da descoberta convive com a solidão.“Society”, “Hard Sun” e “Guaranteed” têm atmosferas diferentes, mas cabem nessa escuta de quem procura algum espaço para respirar.

 Em Ukulele Songs, de 2011, a proximidade ganha outra forma. O instrumento pequeno sustenta uma presença vocal enorme, em um trabalho que convida a prestar atenção nos detalhes.

 Já Earthling, lançado em 2022, amplia novamente o cenário sonoro. Escutados em sequência, esses trabalhos mostram como Eddie pode habitar ambientes distintos e continuar reconhecível: pela voz, pela interpretação e pela maneira de dar importância a cada frase.

 

De “Once” à gestação: a minha história com Eddie Vedder

Por Roberta Montanari, da Astrozen

 

Eu tinha 12 anos quando ouvi “Once” pela primeira vez em uma rádio e foi ali que me apaixonei pela música do Pearl Jam e pela voz de Eddie Vedder. Naquele momento, começou uma relação que atravessaria minha adolescência e seguiria comigo pela vida. 

O Pearl Jam foi a principal banda da minha adolescência. Estava nos pôsteres, nas capas dos meus cadernos e nas músicas que eu escutava. Eddie fazia parte daquele universo de descobertas, sentimentos e referências que ajudaram a formar quem eu era. 

Essa história também foi compartilhada com meu irmão e sócio, Gil. Ele sempre ouviu muito Pearl Jam comigo, e fomos juntos aos três shows que assisti em São Paulo. A banda faz parte das nossas lembranças como irmãos: das músicas que escutamos juntos à experiência de ver tudo aquilo ganhar vida no palco.

 Enquanto minha ligação com Eddie passa pela voz e pela sensibilidade com que me identifico, o Gil tem um apreço muito grande pelo guitarrista Mike McCready. Cada um tem suas referências dentro da banda, e esse carinho compartilhado pelo Pearl Jam também faz parte da história que levamos para a Astrozen.

E sempre quando o Gil toca Pearl Jam em seus videos, é como se eu voltasse no tempo com todas as boas lembranças dos anos 90 Anos.... depois, sua voz me acompanhou em outra fase muito importante: a gestação do meu filho, Miguel. Nesse período, ouvia diariamente Into the Wild. Um álbum que passou a estar ligado à memória da espera pelo meu filho, acrescentando um novo significado à minha relação com a música de Eddie.

 Quando penso em escolher uma canção favorita, não consigo. Amo todas. Mas, em Into the Wild, “Long Nights” é a que mais toca meu coração. Há algo nela muito particular e torna minha ligação com esse álbum ainda mais especial. Cada música encontra seu espaço, e minha admiração está no conjunto: na voz, nas músicas e na maneira como ele me toca como artista.

 Para mim, Eddie Vedder é um dos maiores cantores. E o carinho que tenho por ele também vem de algo que admiro profundamente: seu cuidado com o próximo. Eu me identifico com essa sensibilidade e com seu envolvimento em causas que buscam ajudar outras pessoas. Conhecer esse lado dele dá ainda mais sentido à admiração que começou quando eu tinha apenas 12 anos. 

É com essa história que participo da criação da coleção da Astrozen que foi desenvolvida pelo Gil com todo esse amor e respeito por esse artista que tanto admiramos. 

 

Eddie e Jill Vedder: compromisso com a pesquisa e com as famílias

O envolvimento social de Eddie também merece atenção. Em 2010, ele e sua esposa, Jill Vedder, participaram da fundação da EB Research Partnership, junto de um grupo de pais. A organização financia pesquisas em busca de tratamentos e de uma cura para a epidermólise bolhosa.  

A EB é uma condição genética rara que torna a pele extremamente frágil, sujeita a bolhas e feridas. A ligação do casal com a causa se tornou pessoal ao conhecer a realidade de uma criança afetada pela doença.

A instituição adota um modelo de filantropia que permite reinvestir na pesquisa os retornos obtidos com projetos financiados que tenham sucesso comercial. A proposta é fazer o apoio continuar gerando recursos para novos estudos. Nessa atuação, a visibilidade do artista ajuda a aproximar o público de uma realidade que muitas pessoas desconhecem. A admiração por sua música pode se tornar a primeira porta para conhecer a causa, ouvir essas famílias e apoiar o trabalho científico. É uma dimensão importante de sua trajetória: a capacidade de reunir pessoas também encontra um propósito fora do palco.

 

Ohana Festival: música, comunidade e natureza

O carinho de Eddie Vedder pela música e seu compromisso com outras causas também se encontram no Ohana Festival. Fundado por ele em 2016, o evento acontece em Doheny State Beach, em Dana Point, na Califórnia, com a praia como cenário para encontros entre artistas e fãs.

Além dos shows, o Ohana reúne música e ativismo, dando espaço à sustentabilidade e à conservação ambiental. Essa proposta ajuda a compreender uma dimensão importante de Eddie: sua vontade de usar a música para aproximar pessoas e chamar atenção para o mundo que compartilhamos. Para nós, essa combinação tem muito a ver com o artista que admiramos.

A mesma voz que acompanha momentos tão pessoais também pode reunir uma comunidade em torno de algo maior. O Ohana é mais uma maneira de levar essa conexão para além dos discos e dos palcos.

 

Vitalogy Foundation: o trabalho coletivo do Pearl Jam

O compromisso social se estende ao Pearl Jam por meio da Vitalogy Foundation. A fundação apoia organizações e amplia a discussão sobre questões sociais, com três áreas centrais de atuação coletiva: meio ambiente, pessoas em situação de rua e causas indígenas. 

Há uma diferença importante entre se sensibilizar com um problema e sustentar iniciativas para enfrentá-lo.

O trabalho da fundação procura aproximar essas duas coisas, combinando apoio financeiro e mobilização. 

Além dessa atuação coletiva, os integrantes têm causas próprias. A página oficial da Vitalogy destaca o envolvimento de Eddie com direitos reprodutivos e com o enfrentamento das mudanças climáticas, além da EB Research Partnership.  

Essa disposição para se posicionar faz parte da história do artista. Nem todos os ouvintes terão as mesmas opiniões, mas conhecer seus compromissos ajuda a compreender a pessoa que está por trás de uma voz tão familiar.

 

Uma homenagem da Astrozen, feita com história

E O Gil foi um mestre nas criações, traduziu perfeitamente essa fase solo do Vedder e foi impossível criar uma pequena coleção rsrsrs

É desse vínculo que nasce a coleção da Astrozen dedicada a Eddie Vedder: 16 estampas criadas para celebrar um artista que ocupa um lugar especial na nossa história.

 

 

Porque algumas vozes continuam com a gente muito depois que o disco termina ;)

 

Por Gil e Rô Montanari

 

Fontes e referências: