Tem banda que você reconhece nos primeiros segundos.
Um grito rasgado, uma guitarra entrando sem pedir licença e de repente, uma voz melódica muda completamente o clima da música.
Alexisonfire é assim.
Nascida em St. Catharines, Ontario, no Canadá, em 2001, a banda construiu uma identidade que mistura a agressividade do hardcore com melodias, atmosferas e emoções que ajudaram a levá-la muito além da cena underground canadense. Mais de duas décadas depois, aquela combinação aparentemente caótica continua funcionando.
Tudo começou em St. Catharines
Antes do Alexisonfire existir, seus integrantes já circulavam pela cena musical do sul de Ontario.
George Pettit, Dallas Green, Wade MacNeil e Chris Steele vinham de outros projetos locais que estavam chegando ao fim. Com o baterista Jesse Ingelevics, aquelas diferentes referências acabaram convergindo para uma nova banda em 2001.
E o começo foi tão DIY quanto você poderia esperar e em 2002, o grupo gravou suas primeiras músicas e lançou o que ficou conhecido como Math Sheets Demo.
O nome não era uma metáfora artística extremamente profunda: as cópias do CD foram literalmente embaladas em folhas de exercícios de matemática do então baterista Jesse Ingelevics.
Pouco depois chegaria o primeiro álbum e as coisas começariam a mudar rapidamente.
Alexisonfire: o álbum que apresentou o caos
Em outubro de 2002 foi lançado Alexisonfire, primeiro álbum de estúdio da banda.
O disco já apresentava vários dos elementos que se tornariam assinatura do grupo: guitarras explosivas, mudanças repentinas de dinâmica e, principalmente, o contraste entre diferentes estilos vocais.
Enquanto George Pettit assumia os vocais gritados, Dallas Green trazia melodias limpas e Wade MacNeil adicionava outra camada vocal à mistura. Essa combinação ajudou a criar algo muito particular e não era simplesmente peso, também não era simplesmente melodia. Era a tensão entre os dois.
Faixas como “Pulmonary Archery” ajudaram a banda a conquistar espaço e público, enquanto os shows intensos fortaleceram uma base de fãs construída em grande parte pelo boca a boca.
Então veio Watch Out!
Dois anos depois, o Alexisonfire lançou Watch Out!, em 2004.
Se o primeiro álbum apresentou a banda, o segundo mostrou que aquela fórmula poderia crescer e o grupo começou a explorar ainda mais os contrastes entre agressividade e melodia, sem abandonar a intensidade que havia chamado atenção desde o início.
É nessa fase que aparecem músicas que se tornariam fundamentais na história da banda, como “Accidents” e “No Transitory”. Mas ainda faltava um álbum que colocaria o Alexisonfire em outro patamar.
Crisis: quando tudo ficou maior
Em 2006 chegou Crisis.
O terceiro álbum de estúdio estreou em 1º lugar nas paradas canadenses, consolidando o Alexisonfire como um dos grandes nomes do rock pesado produzido no Canadá naquela geração.
E Crisis entregou algumas das músicas mais conhecidas da carreira da banda.
Entre elas:
- This Could Be Anywhere in the World
- Boiled Frogs
- Rough Hands
- Drunks, Lovers, Sinners and Saints
- Crisis
A força de Crisis também ajuda a entender por que é difícil resumir o Alexisonfire apenas como “post-hardcore”. O peso estava lá, mas havia também refrões enormes, passagens atmosféricas, punk, hardcore e melodias capazes de transformar uma música completamente em poucos segundos e essa imprevisibilidade virou parte da identidade da banda.
Três vozes. Uma identidade.
Talvez uma das características mais interessantes do Alexisonfire seja justamente não depender de um único vocalista tradicional.
George Pettit, Dallas Green e Wade MacNeil cumprem funções diferentes.
E isso cria uma espécie de diálogo dentro das músicas.
George é confronto.
Dallas é melodia.
Wade conecta os dois mundos.
Em algumas músicas, parece que diferentes emoções estão discutindo entre si.
Raiva, vulnerabilidade, urgência e melancolia.
E é exatamente aí que está boa parte da personalidade do Alexisonfire.
Old Crows / Young Cardinals e a mudança de fase
Em 2009, a banda lançou Old Crows / Young Cardinals.
O disco mostrou um grupo mais maduro e disposto a expandir novamente seu som.
Só que, enquanto musicalmente o Alexisonfire continuava evoluindo, os integrantes também começavam a seguir caminhos diferentes.
Dallas Green já desenvolvia paralelamente o City and Colour, projeto que mostrava um lado completamente diferente daquele ouvido no Alexisonfire.
Outros integrantes também começaram a se envolver em novos projetos até que a banda anunciou sua separação em 2011, seguida posteriormente por uma turnê de despedida.
Parecia o fim e não foi.
Alexisonfire estava voltando
Poucos anos depois da despedida, os integrantes começaram a se reunir novamente para alguns shows e a retomada aconteceu aos poucos e não havia inicialmente aquela ideia clássica de:
“Voltamos. Agora vamos fazer um disco.”
Eles simplesmente começaram a tocar juntos novamente e os shows apareceram e depois algumas músicas novas e aquela conexão ainda estava ali.
Até que, em 2022, aconteceu algo que muitos fãs provavelmente já não esperavam.
Otherness: 13 anos depois
Em junho de 2022, o Alexisonfire lançou Otherness, seu primeiro álbum completo desde Old Crows / Young Cardinals, um intervalo de 13 anos.
Mas existe algo especialmente interessante nesse retorno, a banda não queria simplesmente viver de nostalgia. George Pettit deixou isso claro ao falar sobre a nova fase: eles amavam tocar as músicas antigas, mas não queriam se transformar apenas em um ato nostálgico.
E Otherness acabou representando exatamente isso, não uma tentativa de recriar 2004, não um Crisis Parte II, mas cinco músicos adultos descobrindo qual era o lugar do Alexisonfire naquele momento.
O próprio conceito de “otherness” alteridade, a sensação de ser diferente ou estar à margem foi apresentado pela banda como algo que sempre esteve conectado à sua história e às pessoas atraídas por sua música. Talvez essa seja uma das melhores explicações para a longevidade do Alexisonfire.
Afinal... de onde veio o nome Alexisonfire?
Essa é provavelmente uma das curiosidades mais estranhas da história da banda. E sim: Alexisonfire é pronunciado como “Alexis on fire”.
O nome surgiu depois que Dallas Green viu em um programa sobre contorcionismo uma performer adulta que usava o nome Alexis Fire.
O grupo gostou do nome e acabou transformando em Alexisonfire. A história chegou inclusive a gerar uma disputa relacionada ao uso do nome nos primeiros anos da banda. Definitivamente não é uma daquelas histórias de nome de banda que você esquece facilmente.
20 anos de Crisis e o Alexisonfire ainda olha para frente
Em 2026, um dos capítulos mais importantes da história do Alexisonfire completa 20 anos: Crisis, lançado em 2006.
Duas décadas depois, músicas como “This Could Be Anywhere in the World”, “Boiled Frogs” e “Rough Hands” continuam ocupando um lugar especial na trajetória da banda e entre os fãs.
Mas a comemoração não significa que o Alexisonfire esteja vivendo apenas do passado.
Em entrevista à Exclaim!, George Pettit revelou que a banda vem trabalhando, aos poucos, em material para um próximo álbum, dando continuidade ao caminho retomado com Otherness.
Ou seja: 20 anos depois de Crisis, o Alexisonfire continua fazendo exatamente aquilo que sempre fez melhor!!
Por trás da estampa: St. Catharines, Ontario
E é justamente aqui que chegamos à nova estampa da Astrozen.
Na parte inferior da arte aparece: ST. CATHARINES, ONTARIO
Não está ali por acaso. É uma referência direta à cidade canadense onde o Alexisonfire nasceu em 2001. A composição da estampa parte dessa origem e encontra outra linguagem muito ligada ao universo do rock: a estética da tatuagem tradicional.
Tigre, lobo, cobra, pantera, rosas e traços fortes criam uma composição agressiva em preto e branco.
Aqui é importante fazer uma distinção: esses animais não estão sendo apresentados como símbolos oficiais do Alexisonfire.
Eles fazem parte da interpretação visual da Astrozen para traduzir a energia da banda: Instinto, força, confronto, caos, resistência.
Elementos diferentes dividindo o mesmo espaço e exatamente como agressividade e melodia convivem dentro das músicas do Alexisonfire. E no centro de tudo permanece a referência à origem: St. Catharines.
Porque antes dos grandes palcos, dos discos e de uma legião de fãs ao redor do mundo, existiam cinco caras fazendo barulho em Ontario.
https://www.astrozen.com.br/search/?q=alexis
Alexisonfire atravessou mudanças, projetos paralelos, uma despedida e um retorno que parecia improvável. Em 2026, enquanto Crisis completa 20 anos, a banda continua olhando para frente e já trabalha no que poderá se tornar seu próximo capítulo.
Essa história agora também virou estampa na Astrozen.
Vista atitude.
Vista música.
Vista aquilo que faz parte da sua história.
Por Gil e Rô Montanari
Referências e fontes
As informações históricas deste artigo foram consultadas em fontes oficiais e publicações especializadas:
-
Alexisonfire — site oficial — discografia e trajetória da banda.
-
Exclaim! — entrevistas e matérias sobre a formação, carreira, Crisis, retorno e Otherness.
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JUNO Awards — premiações e indicações.
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AllMusic — biografia e discografia.
Sobre a estampa: A arte da Astrozen é uma interpretação autoral inspirada na origem e na atmosfera do Alexisonfire. Os elementos gráficos não são apresentados como símbolos oficiais da banda.
